Diversidade em tecnologia deve ser ampliada desde a formação acadêmica

por | julho 3, 2023

A área de tecnologia está em constante expansão devido às novas ferramentas que surgem a todo momento. Com isso, a necessidade de profissionais capacitados é constante. Porém, essa área ainda é dominada por um grupo de pessoas: segundo a pesquisa Stack Overflow 2022, a maioria dos desenvolvedores são homens, brancos e héteros. Por isso, aplicar diversidade ao mundo tech tem sido cada vez mais desafiador, mas é possível de ser alcançado se o tema for olhado com cuidado desde a formação dos profissionais.
Jorge Cruz, Gerente Nacional Adecco IT, Brasil, afirma que a cada 10 profissionais selecionados na área, apenas um atende a parâmetros de diversidade, mas afirma que é possível garantir que recrutamento e seleção considere os candidatos com um olhar mais inclusivo. “Precisamos repensar os processos e políticas, reformular os anúncios de vagas e desfocar em informações específicas. Pensando no futuro, podemos usar o auxílio de inteligência artificial para este foco de contratação”.

Diversidade na tecnologia: descubra qual a importância e como implementar

Imagem: Getty Image

Mas antes de pensar na contratação é necessário olhar para quem está se formando na área. O último Censo da Educação Superior, elaborado pelo Inep em 2021, mostrou que na época, cerca de 7 mil mulheres terminaram a graduação em cursos de computação e tecnologias da informação e comunicação (TICs), enquanto mais de 44 mil homens concluíram cursos na mesma área.

A área de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, nas iniciais em inglês) é dominada pelo gênero masculino. Se olharmos cada setor separadamente, entre 2010 e 2020, a proporção de alunos do sexo feminino nunca chegou a 20% nos cursos de computação e TICs, sendo a mais baixa entre todos os cursos de STEM. Quando analisamos o número de formandos com a raça autodeclarada, em 2010 havia 7,9 milhões de alunos brancos, 3 milhões de pardos e cerca de seiscentos mil autodeclarados como pretos. Já em 2020, os números registrados foram de 25 milhões de alunos autodeclarados brancos, 13,5 milhões pardos e 3,1 milhões de alunos pretos.
“Olhar para a diversidade na área desde a formação, já ajudaria a expandir o número de profissionais diversos capacitados no mercado de trabalho, e a partir disso, caberia as empresas reverem seus processos de recrutamento e seleção, aumentando as oportunidades para todos”, avalia Jorge.
Um ambiente diverso, igualitário e inclusivo traz benefícios para as empresas e para os profissionais, por isso, o tema deve ser tratado com a devida atenção. Um caminho seria implementar ou fortalecer as ações que ressaltem a preocupação e compromisso da companhia com as pautas de diversidade, focando em processos humanizados.
“Apesar de ser um desafio, olhar para um número maior de profissionais, rompendo barreiras de segregação e preconceito e, acima de tudo, aceitando as pessoas com suas diferenças, é o caminho para ampliarmos os espaços que, hoje, estão carentes de profissionais qualificados”, finaliza o executivo.

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