A Tropa da Solidariedade, projeto social criado para ajudar pessoas em situação de rua e famílias periféricas cariocas por meio de educação, cultura, alimentação e revitalização urbana, tem ampliado a sua atuação para além das fronteiras brasileiras. O seu fundador, o rapper Shackal, está no Canadá alinhando diversas parcerias com entidades locais para transformar a Lapa, no Centro do Rio, num grande polo criativo, artístico e educacional. No entanto, diferentemente do respeito e admiração conquistados na América do Norte, ele tem enfrentado muitas barreiras e preconceito no Brasil.
“Estamos trabalhando arduamente, com muita dificuldade, falta de patrocínio, pouco apoio para trazer artistas ao Brasil, para transitar em território canadense, mas estamos costurando essas conversas, esse intercâmbio cultural tão importante entre Brasil e Canadá. Sei que sou uma pessoa preta retinta e que sou uma pessoa preta em qualquer parte do planeta. E isso me impulsiona. Acredito na força da arte, sei da problemática no meu país para as pessoas pretas, para os homens e as mulheres alcançarem seus objetivos, mas a gente acredita na ideia para superar esses obstáculos. Estamos atentos, super atentos. Há muita dificuldade. É uma luta, mas precisamos manter o foco. Nosso povo é de luta”, desabafa o rapper.

Rapper Shackal levando os alimentos – Tropa da Solidariedade
Um dos projetos liderados por Shackal por meio da Tropa é o Rio Mural Festival. Trata-se de uma parceria com o Vancouver Mural Festival, um dos maiores eventos de arte urbana do mundo. A iniciativa prmoveu uma grande maratona de arte nas ruas no Centro, com atividades a céu aberto, shows e intercâmbio entre artistas do Brasil e do exterior.
Em 2020, Shackal criou a Tropa da Solidariedade, que começou no início da pandemia com o objetivo de ajudar as pessoas mais vulneráveis e à margem da sociedade com itens básicos de higiene e de alimentação, com alimentos orgânicos obtidos diretamente com pequenos agricultores fluminenses e, através de mutirões, juntam um grupo numeroso e diverso de voluntários para preparar refeições e distribuir aos moradores em situação de rua. Desde então, o movimento já impactou mais de 20 mil famílias.
“Temos histórias silenciadas pela dor, o abandono, a indiferença e a falta de perspectiva. Nessas ações, conseguimos juntar a cidade partida, levando para um campo de reflexão pessoas de diferentes bairros da cidade. Assim nasceu a Tropa: de um desejo de sobrevivência e com muita sede de uma sociedade mais justa e digna para todos. Devido ao sucesso dos mutirões, conseguimos a doação de um espaço no Beco dos Carmelitas, que se tornou a nossa sede. Lá, realizamos uma série de atividades com enfoque social e recebemos doações diversas, como agasalhos, alimentos e itens de higiene básica”, explica Shackal.








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