De 11 a 22 deste mês, a 13ª Mostra Cinema e Direitos Humanos chega aos estados e ao Distrito Federal com entrada gratuita. Serão apresentados 18 filmes nacionais realizados por profissionais escolhidos por terem relação direta com os temas abordados nas produções, como o antirracismo e a defesa dos direitos das mulheres, pessoas com deficiência, povos indígenas e comunidade LGBTQIAPN+. A abertura será em Brasília, dia 11, às 18h, no Sesc Estação 504 Sul, com a ministra Margareth Menezes, do Ministério da Cultura (MinC), Marina Basso Lacerda, chefe de gabinete do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, e o cineasta Silvio Tendler, o homenageado desta edição.
Com o tema “Vencer o ódio, semear horizontes”, todas as regiões estarão representadas nas criações cinematográficas selecionadas na Mostra. Em uma segunda fase, de 25 de março a 24 de abril, acontecerá no evento a Mostra Difusão, quando a programação ficará disponível online. Os filmes estarão na plataforma de streaming InnSaei.TV e em equipamentos culturais das cidades participantes. Os espaços, incluindo os do interior, foram cadastrados pelo Ministério da Cultura, que realiza a Mostra com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A produção é do Departamento de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Cena do filme Filha Natural
A Mostra foi organizada em programas divididos com os títulos “Homenagem”, “Raízes”, “Sementes” e “Frutos”. O programa “Raízes” traz filmes como “Travessia” (2017, 5 min, livre), da baiana Safira Moreira. Ela investe na força da imagem fixa como disparadora dos processos de memória, condensando o passado de escravidão, as persistências do racismo e a construção de novas narrativas. “O ontem – o hoje – o agora”, como diz um dos versos do poema “Vozes-Mulheres”, de Conceição Evaristo, ouvido no curta enquanto aparece fragmentada a imagem de uma jovem babá negra que tem no colo um bebê branco.
Já “Filha Natural” (2018-19, 16 min, livre), da artista visual fluminense Aline Motta, tem a busca da diretora pelas raízes da família, com a pesquisa sobre documentos dos antepassados. Há indícios que a tataravó dela tenha nascido por volta de 1855, em uma fazenda de café em Vassouras, zona rural fluminense, considerada o epicentro do escravismo brasileiro no século XIX. “Nossa Mãe Era Atriz” (2022, 26 min, 12 anos), dos irmãos mineiros Renato Novais e André Novais Oliveira, reverencia Maria José Novais Oliveira, mulher negra que se tornou atriz aos 60 anos, ao atuar nos filmes realizados pelos filhos, em Contagem (MG).
No programa “Sementes”, “Me Farei Ouvir” (2022, 30 min, 10 anos), as diretoras Bianca Novais e Flora Egécia documentam o percurso de mulheres que conquistaram espaços na política brasileira, na luta contra a sub-representação feminina nos espaços de poder. Entre as entrevistadas estão Benedita da Silva e Erica Malunguinho. Já “Escrevivência e Resistência: Maria Firmina dos Reis e Conceição Evaristo” (Brasil, 2021, 26 min, livre), de Renato Barbieri e Juliana Borges, é dedicado às duas escritoras negras fundamentais da literatura brasileira e que vêm conquistando reconhecimento pela potência das obras. O filme é o 11º episódio da série televisiva “Libertárixs”.

Cena de “Escrevivência e Resistência – Maria Firmina dos Reis e Conceição Evaristo”
O programa “Frutos” é dedicado ao público infanto-juvenil. Realizado pelas crianças da Escola Municipal José Albino Pimentel, “Tesouro Quilombola” (2021, 23 min, livre) é um dos frutos do projeto de educação audiovisual desenvolvido para o letramento dos estudantes do Quilombo Guguri-Ipiranga, na Paraíba. No curta, as crianças brincam de caça ao tesouro e descobrem as verdadeiras riquezas do território.
Toda a programação do evento pode ser acompanhada através das redes sociais e do site mostracinemaedireitoshumanos.mdh.gov.br.
Pauta editada em 12/03/2024 as 11:07 por Trace Brasil.








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