Peça usa tecnologia para promover memórias afro-brasileiras e projetar futuro

por | ago 17, 2022

A imagem que conhecemos de Anastácia é a representação de uma mulher negra escravizada, que tem preso ao rosto uma máscara composta por um pedaço de metal colocada no interior da boca, entre a língua e a mandíbula, e fixada por detrás da cabeça através de duas cordas. Simbolizando o silenciamento e brutalidade do sequestro e escravização, a máscara é uma imposição de senso de mudez e de medo. Em “Estilhace!”, o diálogo inovador entre linguagens provoca uma reflexão sobre os dispositivos de silenciamento do povo negro, bem como, as potencialidades de superação desses processos.

O espetáculo é dirigido pelo artista e educador musical Leandro Souza com coreografia da capoeirista e bailarina afro Júnia Bertolino e em parceria com os videoartistas Paulo Roberto Rocha e Caio Maggi. A montagem inédita estreia no Teatro Espanca com apresentações nos dias 26, 27 e 28 de agosto. Serão, ao todo, seis apresentações a preços populares de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Para mais informações, acesse https://linktr.ee/estilhace.

No espetáculo, o público é convidado a experimentar as diversas camadas e linguagens da performance que tem a forte influência do afrofuturismo – conceito em que a tecnologia se une à produção artística e projeta o futuro pela perspectiva afrocentrada. As referências à máscara de metal e as novas narrativas e possibilidades de expressão propostas serão percebidas no deslocamento da bailarina, que por meio de sensores fixados ao corpo, produzem, em tempo real, sons e imagens.

Para Júnia, a construção compartilhada com Leandro tem resultados surpreendentes, como o acúmulo de conhecimento e o apoderamento de tecnologia para a arte negra. Ela conta que ao longo da trajetória artística já havia integrado projeção de vídeos à sua atuação na dança, mas que é a primeira vez em que performa com este tipo de tecnologia. “Há 14 anos, usei imagens, mas pela primeira vez, sensores integrados ao meu movimento. Mais do que nunca, vejo que as danças populares e afro-brasileiras precisam usar novas linguagens. Neste trabalho, trago a reflexão do feminino e da mulher na capoeira como uma boa oportunidade de performar com a cabaça e o berimbau, elementos tão representativos na manifestação da valorização das manifestações da manifestação cultural afro-brasileira”, reflete.

O projeto, que é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, foi desenvolvido a partir de pesquisas feitas por Leandro Souza sobre estratégias de interação para música, dança e outras linguagens artísticas explorando tecnologias digitais. “Este projeto possui impacto cultural inovador, uma vez que coloca a mediação digital a serviço da criação artística, e traz para o espectador, um espetáculo que questiona os mecanismos de racismo, a herança do processo de sequestro e escravização, assim como a colonização. Além de refletir sobre a urgência pela quebra dos muitos silêncios instituídos”, afirma.

O diálogo da tecnologia com as imagens, poesia e as danças afro-brasileiras e contemporânea se dá por meio de sensores fixados nas pernas e braços da dançarina, em que os sons do berimbau e os vídeos projetados serão alterados em tempo real. É a partir da movimentação de Júnia Bertolino no palco que se produz além de sons e imagens como, principalmente, narrativas, como faz questão de destacar. Para isso, a artista resgatou estudos sobre ancestralidade e o corporeidades negras para compor a montagem. “Assim que o Leandro me convidou, trouxe Conceição Evaristo com o Vozes-Mulheres em que fala da voz da mãe e avó e da bisavó que ecoam. Já a escolha por poemas de Beatriz Nascimento diz sobre o que ela representa como historiadora e sobre o corpo quilombola”, conclui.

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