Sol Miranda faz discurso potente durante cerimônia de entrega de prêmio na Suíça

por | ago 15, 2022

O filme brasileiro “Regra 34”, dirigido por Julia Murat, ganhou neste domingo dia 14, o Leopardo de Ouro, o prêmio máximo do Festival de Locarno, na Suíça. O longa, estrelado por Sol Miranda – atriz de 32 anos, nascida e criada na favela Cinco Bocas, em Brás de Pina, conta a história de Simone, sua personagem, uma jovem negra que acabou de passar para a defensoria pública e pagou seus estudos fazendo performance online de sexo como camgirl.

“Regra 34” é produzido por Tatiana Leite e Julia Murat numa coprodução com a França. Questões como punitivismo, feminicídio e  justiça num país desigual perpassam o filme ao lado da discussão do desejo pela violência. A personagem Simone atende mulheres vítimas de violência doméstica. No entanto, seus próprios interesses sexuais a levam a um mundo de brutalidade e erotismo.

Com uma excelente repercussão na imprensa, havia entre os jornalistas uma expectativa de premiação: “O filme de Julia Murat sobre uma estudante de direito com hábitos pornográficos é um trabalho corajoso, imoral e  essencial”, escreveu Oris Aigbokhaevbolo, do The Film Veredict.

“Um crepitante e brilhante estudo de personagem […] explorando os limites do consentimento, o significado de se procurar a dor, e a interseção entre opressão sistêmica e livre arbítrio. […] No centro do filme está Miranda que não tem nenhuma dificuldade em prender a atenção da câmera […] Não há dúvidas do porque Murat decide terminar o filme com um close, com um rosto tão cinematográfico quanto esse, seria rude não o fazê-lo”, definiu Redmond Bacon, do Dirty Movies.

Em seu discurso de agradecimento Sol falou sobre a importância das oportunidades para mulheres negras. E finalizou com um “Viva a cultura e fora, Bolsonaro1”, sendo ovacionada pela plateia.

“Quando Júlia escreveu essa personagem, inicialmente, não seria para uma atriz negra. Ao me contar que eu fui selecionada, ela disse o seguinte: ‘Tem algo na personagem Simone que eu não consigo acessar e você, Sol, é inacessível’. Júlia não me escolheu por ser negra, mas por ter encontrado traços entre mim e a personagem. Mas eu só pude ser opção porque Gabriel disse a ela: esta personagem é uma mulher negra. Após os medos com a complexidade da personagem, ela assume os riscos de ter uma mulher negra como protagonista. Isso fala sobre oportunidades. Eu, como uma mulher negra, vinda de favela, jamais me imaginaria aqui hoje. Me sinto muito honrada em fazer parte deste filme. E quero muito que nos próximos anos tenhamos mais meninas negras, meninas trans aqui. Para que Locarno e todos os outros festivais possam oportunizar mulheres como eu estarem aqui é preciso que realizadores, produtores e diretores se abram para além das caixinhas em que somos colocadas”.

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