Obra desenvolve narrativa aberta pela artista no EP anterior e aponta para uma nova fase estética da artista
A multiartista Jup do Bairro lança hoje, via Natura Musical, seu novo EP, in.corpo.ração nas principais plataformas digitais. Com produção musical de Jup em parceria com o duo CyberKills, o projeto traz as participações especiais de Edgar e Mateus Fazeno Rock. A direção de arte é de Gabe Lima, que junto à artista elaborou uma capa para cada canção, além da capa do próprio EP em si.
O novo EP conta com 5 faixas, nesta ordem: “sinfonia do corpo (in.corpo.ração)”, “lave sua boca (suja) quando for falar de mim”,“não vou mais chorar nem me lamentar”, feat. Edgar & Mateus Fazeno Rock, “espero que esse samba te encontre bem” e “mulher do fim do mundo”.
Apenas uma delas não foi escrita por Jup do Bairro: “a mulher do fim do mundo”, composta por Alice Coutinho e Rômulo Fróes e eternizada na voz de Elza Soares, mas que agora ganha uma versão inédita e totalmente reinventada por Jup.
“Regravar uma canção que ficará sempre como sinônimo de Elza Soares foi um desafio e tanto, mas acima de qualquer coisa, foi a homenagem mais genuína e especial que já fiz para ela. Decidi incluir este clássico em meu EP como um agradecimento e também celebração pessoal à Elza, uma mulher que sempre esteve à frente de seu tempo. Elza escancarou caminhos para que artistas como eu pudessem cantar, então sigo sua trilha, refazendo-a dentro de minha estética, mas sabendo que só um hoje porque antes houve um começo de tudo lá atrás. E quem começou foi Elza”, sinaliza Jup.
O show de lançamento de in.corpo.ração está marcado para dia 28 de Junho, na Casa Natura Musical, em São Paulo (SP), com Urias e Mu540 de atrações convidadas. Mais informações sobre ingressos, horário de abertura da casa e afins, acesse: Jup do Bairro convida MU540 e Urias – Casa Natura Musical.
A cantora bateu um papo exclusivo com a Trace Brasil e falou mais sobre o projeto.
O EP
in.corpo.ração nasce de uma pesquisa reflexiva de Jup para além do corpo e marca a sequência narrativa de CORPO SEM JUÍZO (2020), seu EP de estreia solo. Nesta nova fase, Jup se debruça num trabalho musicalmente eclético, que parte de uma variedade de subgêneros oriundos da música eletrônica brasileira – techno, house e funk, entre outros – e o rap como base, ao mesmo tempo em que entende este álbum como pop.
“Já flertava muito com esses ritmos todos em minha trajetória, mas agora me lanço numa aventura sonora totalmente inédita, com produção dos CyberKills, que assumem a produção e dividem a direção musical comigo”, aponta Jup. “O funk é muito presente nesse cenário, mas ousaria dizer que sonoridade nasce em um ‘baile punk de favela’ e, principalmente, me volta bastante às influências encontradas na noite paulistana contemporânea. A Mamba Negra, o Baile da DZ7, as ballrooms espalhadas por toda a cidade. Queríamos criar um repertório que comunicasse de uma forma objetiva mas criativamente sob a trilha sonora que consumimos”, completa a artista sobre o leque estético que compõe a sonoridade de in.corpo.ração como um todo.
Entre as referências mais diretas absorvidas por Jup durante o processo criativo deste EP, ela cita Deize Tigrona, Tati Quebra-Barraco, Leci Brandão, Alcione e Elza Soares, cujo clássico “Mulher do Fim do Mundo” ela reinterpreta dentro do novo EP. Produtores como MU540, Bonekinha Iraquiana, BADSISTA, EVEHIVE, YKYMANI, DJ Bassan, DJ Caio Prince, FUSO! e o próprio CyberKills também estão nesta lista criativa de Jup.
- Como você compara seu trabalho em “CORPO SEM JUÍZO” com o trabalho em “in.corpo.ração”? Não no sentido de evolução, mas de diferenças mesmo. Quem era a Jup no EP anterior e quem é a Jup agora?
Se antes questionei “o que pode um corpo sem juízo?” nesse trabalho eu consigo entender – pode muito! Não há limites para o que eu posso ser desde que eu coloque em prática. Passei por muitas contradições até chegar na conclusão deste trabalho, principalmente sobre o que eu gostaria de falar agora. Costumo dizer que sou uma artista do presente, utilizado da ferramenta mais complexa da arte, o meu corpo, minha mente. A Jup do Bairro que se apresenta agora é uma persona mais madura, mais consciente do mercado, das dificuldades de se manter porosa e criativa, mas também muito mais sonhadora. Incorporo verdades que eu quero viver, não absolutas, mas projeto quando digo que não vou mais chorar e nem me lamentar ou ordeno que lave sua boca quando for falar de mim. São composições que interpreto olhando para o espelho e divido momentos de vulnerabilidade como potência. Eu levantei da cama, fiz meu corre e me mostro preparada para o fim do mundo, se é que ele já não aconteceu.
Em relação aos temas elaborados por Jup do Bairro em in.corpo.ração, a artista contextualiza: “Estive trabalhando nas composições nos últimos tempos e acredito que as letras se interligam ao presente, mas de uma forma atemporal. Em 2019, lancei uma campanha de financiamento coletivo levantando as provocações ‘o que pode um corpo sem juízo?’ e ‘o que pode seu corpo?’. Sob as afirmações do filósofo Spinoza, as possibilidades de um corpo vão para além do que se pode pensar sobre religião, política e filosofia. Nascia em ‘CORPO SEM JUÍZO’, que na minha leitura é corpo como potência capaz de subverter a cultura e a natureza como não determinantes, mas sim como espaço de invenção e de erupção de outras possibilidades de vida. É uma extensão de mim, de minha mente, mas se antes perguntei o que podia um corpo, hoje me pergunto o que não pode e o porquê. É maravilhosamente melancólico, terrivelmente dançante, fabuloso e contraditório”, revela a compositora.
- Alguma música nesse novo EP é sua queridinha no momento? Podemos esperar algum clipe?
A favorita quase que unanimidade de todo mundo para quem mostrei o disco é a faixa “lave sua boca (suja) quando for falar de mim”, já eu mudo toda hora. Amo a complexidade de “mulher do fim do mundo” e o encontro que tive em “não vou mais chorar nem me lamentar” com Edgar e Mateus Fazeno Rock” foi histórico para mim, vou ter que ficar em cima do muro. Todas as faixas ganharão vídeo que serão lançados no dia 28/06, mesmo dia que faço o show de lançamento na Casa Natura Musical. É uma forma que encontrei de celebrar junto com quem vai conseguir estar presente fisicamente comigo nesse momento tão especial, mas que fará parte de tudo que tenho construído em minha trajetória.
Participações especiais
“não vou mais chorar nem me lamentar” é a terceira faixa do EP e é nela que aparecem as duas únicas participações especiais de in.corpo.ração: o artista multimídia paulista Edgar e o músico, cantor e compositor cearense Mateus Fazeno Rock.
“Existem artistas que me fazem sentir porosa ao primeiro instante em que entro contato com suas obras e com Edgar e Mateus Fazeno Rock foi exatamente assim. Edgar é um amor antigo, mais de 10 anos que aprecio e me reconheço em sua mente inquieta, como a minha. Música, performance, cinema, moda e todas as possibilidades do fazer ‘arteiro’ pelas quais ele já transitou, me excitam. É o tipo de pessoa que eu quero construir e imortalizar algo junto, não poderia ser diferente”, continua Jup. “Já o Mateus Fazeno Rock eu conheci em 2020 por causa do ‘Rolê nas Ruínas’, seu disco de estreia. Desde lá, ele se tornou um dos meus artistas favoritos de todos os tempos. Suas composições, sonoridade e a atitude rockstar me cativam a cada momento. Sem contar que ele é uma pessoa doce, daquelas que queremos estar do lado sempre. Participei do impecável segundo disco dele, ‘Jesus Ñ Voltará’, de 2023, mas pra mim ainda não era o bastante. Quando compus minha parte de ‘não vou mais chorar nem me lamentar’ inevitavelmente pensei em juntar os dois nessa faixa, como um dream team dos meus artistas favoritos. Fiz uma guia, apresentei para eles, que toparam. Ainda no ano passado, apresentamos essa música em um show e foi astronômico! Agora esse encontro está registrado para a eternidade”, comenta Jup.
- Como você pensa suas parcerias? Primeiro vem a música, a vontade de colaborar ou varia? Como é esse processo pra você?
Muitas das vezes eu componho encontros, já vislumbrando “o que eu cantaria se eu tivesse a oportunidade de gravar com tal artista” ou também me vêm primeiro a parte escrita e percebo que caberia uma participação naquilo. Mas amo a possibilidade de criar junto e faço isso sempre que tenho oportunidade. Parcerias na arte é uma das maneiras mais bonitas de imortalizar pensamentos e tem tanta gente que ainda quero fazer isso.
O que vem por aí
in.corpo.ração é apenas o meio do caminho de um 2024 que ainda promete muitas novidades de Jup do Bairro. Para suas “xerosas”, apelido carinhoso que ela deu à sua base de fãs, Jup reflete que este EP é um novo e determinante passo para uma mudança de era, que ela espera surpreender e, ao mesmo tempo, acolher ainda mais, a quem já a admira – e quem ainda não a conhece tanto assim.
- No dia 28 de Junho você faz o show de lançamento na Casa Natura Musical. O que podemos esperar desse novo show? Pode dar um spoiler?
É um show totalmente novo e conta com as participações de Urias e MU540. Vai ser uma noite de celebração do lançamento de “in.corpo.ração” mas também cantarei “CORPO SEM JUÍZO” e projetos paralelos como “Máscara” que regravei da Pitty e também “Descontrolada Remix” do disco After de Pabllo Vittar. Também já estou na pré-produção de um álbum, quem sabe até lá eu já tenha alguma novidade pra mostrar?
“Esse é mais um convite às pessoas a embarcarem em uma viagem-tempo comigo. A possibilidade de se encontrarem com elas mesmas, de revisitar seu passado e ver o que precisa deixar lá e o que se traz para o agora. Enxergar o futuro como uma construção do presente, com o que se pode com o que se tem. Incorporar suas ideias, vontades e se deixar tomar conta. O juízo final é agora e não quero assistir minha vida passar”, celebra Jup do Bairro.
Jup do Bairro foi selecionada por Natura Musical, no Edital 2022, ao lado de nomes como III Mostra Pankararu de Música, Amazônia Negra, Billy Saga, Elisa Maia, Favela Talks, Festival de Música Kariwa Bacana, Kaê Guajajara e Labverde. Ao longo de 18 anos, Natura Musical já ofereceu recursos para mais de 600 projetos, entre nomes consagrados como Emicida, Russo e Antônio Carlos e Jocafi, Dona Onete e João Donato; artistas em ascensão como Linn da Quebrada, Rico Dalasam; e projetos de registro e fomento de cenas, como Os Tincoãs e Mostra Pankararu de Música.
- Para finalizar: quem é Jup do Bairro por ela mesma?
Eu não sei. E quanto mais me descubro mais me questiono. E isso não significa que eu esteja perdida, é que esse encontro é duradouro e muito interessante.
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