O Mandelão em Paris – Le Mandelao à Paris com os Djs Bruno Prado e Muttley

por | março 24, 2025

Texto por: Carlos Ronchi (@c.ronchi)

“Vem, vem! Oh, oh!” assim, em português, dois jovens de quebrada movimentaram um baile funk em Paris! Essa é uma breve amostra do crescimento que o funk brasileiro, especialmente a vertente conhecida como “mandelão”, tem tido no cenário internacional. O mandelão emergiu em São Paulo por volta de 2016, como os bailes de rua na cidade, são caracterizados pelos sons automotivos, as bases são compostas por um forte grave e uma corneta cintilante, não demorando muito para o surgimento de variações como o “bruxaria” que traz uma atmosfera sombria e uma corneta aguda  chamada de “fiu fiu” no backstage da cena por alguns DJs de São Paulo. Se um carro nunca passou na sua rua e fez tremer as paredes, com certeza você não mora em uma quebrada de São Paulo.

Esse crescimento tem se evidenciado nas plataformas de streaming onde foi registrado um aumento de 33% segundo pesquisa do Spotify em países como  Portugal, Estados Unidos, Itália, França e Argentina. Também na Inglaterra a rádio NTS lançou a compilação “funk.br São Paulo”, que reúne subgêneros como “mandelão”, “agressivo” e “bruxaria”.

Outro exemplo é a última campanha da Apple promovendo AirPods 4, iniciando com um cenário frio em que é acalorado pela batida do funk e MC Pikachu e Bia dando o recado “Somos globais, de LA a Paris, São Paulo, tô no mundo inteiro, São Paulo pro topo”. Um personagem +40 é o equilíbrio perfeito, afinal não é só novinho que escuta funk e produtos da Apple são joias nas mãos dos MCs, já diria o poeta “Resolução do iPhone e o brilho das lente, quer morder a maçã” – Let’s, Let’s Go, MC Ig.

Nessa ascensão há um destaque especial em Paris onde, Durante a Semana de Alta-Costura de Paris, em janeiro de 2023, a grife Mugler apresentou seu desfile ao som de “Onda da Balinha”, da funkeira brasiliense Natralhinha, evidenciando a influência do funk brasileiro na moda parisiense e uma surpresa aos brasileiros. 

Para os djs Bruno Prado e Muttley o funk já está consolidado na cidade francesa, onde identificaram na juventude a caracterização que vemos nos bailes de São Paulo com o uso dos mesmos óculos e um pouco da vestimenta, somando ao fato do público acompanhar lançamentos de diversos canais. Vê-se a capilaridade do mandela na França quando Djs não tão conhecidos tem algumas de suas músicas reconhecidas, “foi muito bom ver a música de vários parceiros que nem são conhecidos serem reconhecidos” diz Muttley. Há um oceano de distância entre Brasil e França, mas os jovens de lá parecem morar no bairro ao lado daqui.

Além da audiência, os djs identificam o iminente surgimento de uma vertente francesa do funk brasileiro, mesclando batidas brasileiras com francesas, “está prestes a acontecer”, diz DJ Bruno Prado.

Antes de Bruno e Muttley bailes já consagrados no Brasil como o Club da Dz7 realizaram turnê na Europa, denotando o aumento da demanda que foge aos números das plataformas e tomando os ouvidos e ruas. 

Neste ano o Brasil e a França comemoram 200 anos de relações e as comemorações visam aproximar os dois países culturalmente, é comum a expectativa em ver o funk nessa integração, em especial a mesma música que passa estralando as paredes na periferia de São Paulo, a mesma cor`neta que fura os ouvidos, um funk sem travesseiros nos ouvidos.

Agradecimento especial: Dj Fesouza (dj.fesouza)

0 comentários


– ÚLTIMOS VIDEOS –


– ÚLTIMAS NOTÍCIAS –